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05.2010 - Painel de Azulejos

Azulejos hispano-mouriscos
Azulejos hispano-mouriscos

Azulejos hispano-mouriscos
Barro vidrado
Século XVI (1.ª metade)
42 x 194 cm
N.º Inventário: 0526

Se exceptuarmos os raros e antiquíssimos ladrilhos de feitura ainda medieval, como os da igreja abacial de Alcobaça, os azulejos denominados hispano-mouriscos constituem os exemplos mais recuados da cerâmica de revestimento utilizada em Portugal. Anterior à fase de produção nacional de azulejo, que conheceria um processo tão peculiar de expressão nas centúrias seguintes, este tipo foi importado dos grandes centros de fabrico das regiões de Valência e Andaluzia, com Sevilha à cabeça, durante a centúria de Quatrocentos e a primeira metade de Quinhentos.

Importantes monumentos como o Paço Real de Sintra, a Sé de Coimbra e o convento da Conceição em Beja constituem repositórios significativos dessa herança, que é possível vislumbrar, mais fragmentariamente, um pouco por todo o país. Dentro do vasto conjunto da azulejaria hispano mourisca, foram desenvolvidas, nas oficinas sevilhanas, as técnicas de corda seca e de aresta, que, através da aplicação de contornos sobre os motivos decorativos ou de moldes com arestas salientes, evitavam a mistura das cores no processo de cozedura.

O painel aqui fotografado ornamenta a parte inferior de um nicho localizado junto à portaria do convento de Santo António. José Rosa de Araújo, no opúsculo Azulejos Arcaicos em Ponte de Lima, aventa uma hipotética ligação à figura de D. Leonel de Lima, fundador do convento, o que bem poderá ser possível, mas não comprovado. Permanece inclusive por descortinar se o conjunto cerâmico entrou directamente para o convento ou se para aí transitou proveniente de um outro edifício, porventura de cariz civil.

São detectáveis, neste conjunto azulejar disposto de modo aleatório, três padrões diferentes, todos com desenhos geométricos mudéjares, com predomínio das cores azul, verde, cor de mel e branco. Um deles apresenta a forma de estrela de oito pontas no centro, que irradia em círculos concêntricos compostos por formas geométricas irregulares. O Museu Alberto Sampaio, em Guimarães, tem nas suas colecções alguns espécimes de desenho e policromia iguais. Outro padrão destaca um losango com alcachofras verdes nos vértices, alternando com trifólios cor de mel.

José Meco, na obra O Azulejo em Portugal, publica um exemplar de padrão semelhante a este, que declara constituir um trabalho sevilhano de técnica mista por volta de 1500. O terceiro padrão distinto apresenta motivo quadrilobado ao centro e folhas cor de mel viradas para o interior nos vértices.

Horário
Terça-feira a Domingo das 10h00 às 12h30 e das 14h00 às 18h00.

Encerrado às Segunda-feiras
Peça do Mês - Setembro 2010

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